domingo, 2 de agosto de 2015

DE MOTOCICLETA PELA PATAGÔNIA


                                               Adesivo criado para a viagem


IDA 1ª PARTE
IDA 2ª PARTE
RETORNO
PATAGÔNIA - Um doce inferno. Considerado um dos mais belos lugares do planeta, na região mais austral do continente Sul Americano, no que compreende parte sul do Chile e da Argentina. Lugar cheio de reservas faunísticas de belas paisagens, com canais gelados abertos por atividade sísmica. Picos cobertos por neve e glaciares por entre as montanhas. Um mundo de extrema beleza.           
     
Foram 20 dias de uma bela aventura. Na companhia do amigo e companheiro de longa data e de outras jornadas, Gilnei Rosales Dias. Saí de Canela-RS em 16/03/2015 rumo à casa dele, POUSADA LOS ROSALES, em Arambaré-RS, onde acertamos os últimos detalhes e partimos no dia seguinte ao clarear do dia rumo à última fronteira, USHUAIA.

PERCURSO
IDA
Canela / Arambaré = 280 km
Arambaré / Tacuarembó = 589 km
Taquarembó / Trenque Lauquen = 912 km
Trenque Lauquen / Neuquén = 692 km
Neuquén / San Martin de Los Andes = 424 km
San Martin de Los Andes / El Bolson = 313 km
El Bolson / La junta ( via Esquel, Futalaufquen, Futaleifú, Vla. Sta. Lucia ) = 382 km
La Junta / Chile Chico ( via Va. Amemgual, Coihaique, Ing.Ibanez ) = 420km
Chile Chico / El Calafate ( via Ing. Palavichi,Perito Moreno,Bajo = 705 km Caracoles,Las Horquetas, Parador La Leona )
El Calafate / Cerro Sombrero =599 km
Cerro Sombrero / Ushuaia =416 km
TOTAL  IDA = 5742 km

VOLTA
Ushuaia / Rio Gallegos = 568 km
Rio Gallegos / Caleta Olivia = 687 km
Caleta Olivia / General Conesa = 859 km
General Conesa / Azul = 812 km
Azul / Melo =1022 km
Melo / Canela = 602 km
TOTAL VOLTA = 4550 km      TOTAL GERAL = 10292

Março foi o mês escolhido para a viagem.
Chegamos a esta conclusão depois de um minucioso planejamento (época de pouca chuva e menos vento). O que veio a se confirmar com relação à chuva. Mas o vento, que na ida não se manifestou, na volta não deu trégua, principalmente no trecho entre Rio Gallegos e Azul. Foram 3 dias de vento forte sempre 30° a esquerda, tempo nublado e muito frio.

MOTOS UTILIZADAS: Triumph 1200 Explorer (minha) e BMW GS 800 Adventure (Gilnei)

Saindo de Canela
A ansiedade não foi o principal problema enfrentado no início da viagem. Logo que entramos no Uruguai nos deparamos um um bando de pássaros na estrada comendo grãos deixados por caminhões. Duas aves acertaram em cheio e quebraram o defletor de ar da bolha da minha moto. Mais tarde, ainda no Uruguai, num descuido que parecia de principiante, deixei cair a moto após o abastecimento. Saldo do incidente: a quebra da ponta da manete esquerda. Mesmo sabendo que não iria encontrar peças de reposição (defletor e  manete), segui viagem assim mesmo. Logo me acostumei a usar a embreagem com a manete menor. Só depois da viagem encerrada senti a consequência: duas semanas com dores na mão. 

Saindo de Arambaré
A viagem não rendeu muito no primeiro dia devido a esses incidentes. Além disso, meu parceiro estava com indisposição gástrica, levando-nos a algumas paradas extras. Mas no segundo dia já estávamos rasgando as longas retas do Pampa Argentino, região muito quente e conhecida como "el pampa del infierno". Seguimos em direção a Neuquen, onde o Gilnei já havia agendado revisão da BMW.


Primeiro pernoite Tacuarembó-UY


Revisão feita, tocamos em frente. A princípio, havíamos combinado descer pela Ruta 40 e voltar pela 03. Mas como o tempo estava maravilhoso (muito sol durante o dia e frio à noite), resolvemos fazer a rota dos Sete Lagos, passando em Junin de Los Andes, San Martin de Los Andes e Villa La Angustura, em direção a Bariloche e El Bolson. Nesse dia, já deu para conhecer um pouco das famosas estradas de rípio (cascalho), mas sem maiores problemas, principalmente depois de esvaziar um pouco os pneus.







Socorrendo um argentino/suiço que errou os cálculos de consumo da sua Super Teneré. Faltavam 7 km para chegar em Piedra del Aquila.
Meu parceiro Gilnei foi até lá buscar 3 litros e estava resolvido o problema.






No dia seguinte cruzamos a fronteira Argentina/Chile em Futaleufú e seguimos pelo lado chileno da famosa Carretera Austral, quase toda em rípio, com pequenos trechos já asfaltados.







Termômetro da moto marcando 1,5 grau



Região da Carretera Austral







Chegando ao Glacial Perito Moreno









Sempre é bom ter um mapa físico à mão



Rodrigo e Daniela                      
Casal de Florianópolis que encontramos no caminho.Eles estão viajando de Kombi pela América Latina.


 
Meu mascote apreciando a paisagem

Em Chile Chico, cruzamos novamente para a Argentina rumo a Perito Moreno, onde pegamos La Ruta 40 até 28 de Novembre. De lá voltamos novamente para o Chile até Punta Delgada, onde atravessamos o Estreito de Magalhães, para em Paso San Sebastián novamente cruzar para a Argentina.

Tantas  travessias de uma fronteira para outra mostram que o tal Mercosul não funciona, pelo mesmo para turistas, pois a burocracia é infernal. São tantos papéis para preencher e serem carimbados, que os próprios agentes se atrapalham e acabam se esquecendo de carimbar ou devolver algum papel, o que nos obriga a voltar. Por sorte, normalmente os postos de fronteira funcionam próximos ou juntos. Esse é o ponto negativo desse percurso, pois ele fica serpenteando entre os dois países.

Ufa!!! Enfim estávamos quase chegando ao que chamam de "El Fin del Mundo". Faltavam os 305 km finais (dos quais 80 ainda de rípio), que foram feitos na Ruta 03, único caminho para chegar ao Ushuaia. Essa estrada termina no Canal de Beagle, pouco depois do Ushuaia, onde fomos no dia seguinte fazer fotos na famosa placa do fim da estrada. Dali em frente na direção sul só água e gelo. rsrsrsrs Segundo os locais, fomos privilegiados, pois encontramos condições climáticas raras: sol e nenhum vento.

Comemoramos nossa chegada jantando os tradicionais pratos de merluza negra e centolla, acompanhados de um excelente sauvignon blanc.
Depois de alguns passeios, começamos a preparar nosso retorno aí já com previsão de chuva e frio, o que não nos assustou. Afinal, estávamos bem equipados. E nos sentindo abençoados, pois foram quase 20 dias de viagem sem uma gota de chuva.





                                                  Aqui literalmente fim da estrada

A volta foi muito rápida, levamos só 6 dias. Bateu saudade e resolvemos enrolar o cabo para chegar a  tempo de passar a Páscoa em família. Só tive que abrir mão de visitar a Pinguinera Punta Tombo. Iríamos perder muito tempo, pois todas são um pouco distantes das rodovias e eu não estava mais a fim de encarar 60 km de rípio e ver os bichinhos de longe. Fiquei sabendo que não se pode chegar muito perto para não passar doenças para eles.


Na volta, entre Rio Gallegos e Caleta Olivia, pegamos um trecho de muito frio por causa do vento e da umidade. Deu vontade de ficar o resto do dia nesse restaurante de estrada à beira do fogo, tomando café com conhaque.

Despedindo do parceiro Gilnei em Camaquã.

 


                                          Odômetro no final da viagem   




Em casa, fui recebido com um bom café da tarde com direito a chocolate em forma de pinguim.







CONSIDERAÇÕES FINAIS

Preparação - Como todo bom motociclista, há anos tinha o sonho de ir ao Ushuaia de moto. A viagem nunca saía porque vários amigos sempre desistiam na reta final. Preparei-me então para ir sozinho. A primeira providência foi trocar a BMW RT 1200 por uma Triumph 1200 Explorer. Passei vários meses pesquisando roteiro, condições climáticas para definir a melhor data, equipando a moto e me equipando (compressor 12v, roupas, barraca, cobertor térmico e comida, como sopas, café, leite em pó e barras de cereais, além de muita academia, principalmente pilates). Comprei também um aquecedor de água que podia ser ligado na moto. Não queria me apertar em nenhuma situação de intempérie. Outra providência foi atualizar o mapa do GPS.

Segurança - Um mês antes da data programada para a saída, soube que o Gilnei, amigo de longa data, também estava se preparando para ir, só que 15 dias mais tarde. Resolvi esperá-lo para irmos juntos principalmente por causa da Soninha, minha mulher, que estava muito preocupada com o fato de eu fazer sozinho uma viagem tão longa e sujeita a intempéries. Desta vez ela não quis me acompanhar porque ficou assustada com a fama do vento e do rípio. A viagem pode tranquilamente ser feita sozinho. Argentinos e chilenos são muito simpáticos e solidários, assim como os turistas que encontramos fazendo o mesmo percurso. Cruzamos com pessoas de todas as nacionalidades,  idade e usando todo tipo de transporte: moto, carro, bicicleta e até mesmo a pé. E muita gente viajando sozinha, homem ou mulher. Não vimos ou tivemos informação sobre qualquer ato de violência ou vandalismo.

Acomodação - Não usamos as barracas, pois todas as cidades, mesmo aquelas nos lugares mais ermos, tinham camping com infra e cabanas para alugar. Achamos mais prático ficar nas cabanas e não perder tempo armando e desarmando barraca. Nas cidades maiores, por não ser alta temporada,  não tivemos dificuldades para nos hospedar em hotéis ou pousadas mesmo sem reserva.

Combustível - Só encontramos situação de desabastecimento em Bajo Caracoles, onde o posto só receberia combustível no dia seguinte. Lá tivemos inclusive que socorrer um americano que vinha em sentido contrário ao nosso cedendo-lhe um litro de gasolina do meu tanque reserva para chegar à cidade seguinte, Perito Moreno. Espero que tenha conseguido. Nós não passamos nenhum aperto porque sempre completávamos o tanque assim que ele chegava à metade e tínhamos boa autonomia.

Comunicação - Para quem não sabe, tanto no Chile quando na Argentina todos os postos de combustíveis, mesmo nos lugares mais ermos, têm sinal de WiFi aberto.

Despesas - Com relação a dinheiro, o ideal é levar, além das moedas locais,  uma boa quantia em dólar, livremente aceito tanto no Chile quanto na Argentina. Cartão de crédito é amplamente usado no Chile, mas na Argentina, principalmente em postos de lugares remotos, só cash: peso ou dólar. Para ficar 20 dias, gastamos cerca de U$ 2.200,00 cada um, sem direito a presentinhos, pois quem anda de moto não faz compras. Ficamos em lugares simples, mas quase sempre jantamos bem.

Pneus - Não há necessidade de colocar pneus especiais, desde que inicie a viagem com novos e para terreno misto. Usamos o Metzeler Tourance.Voltamos os dois com os pneus com meia vida, depois de rodar mais de 10 mil km, dos quais 650 de rípio. É importante levar compressor para diminuir a pressão dos pneus quando entrar no rípio, principalmente para as motos mais pesadas.

Bem, gostei tanto da viagem que pretendo voltar antes de encerrar minha carreira de motoestradeiro,
mas acho que não devo demorar muito pois o asfalto está avançando rápido. E ir ao Ushuaia sem cruzar o rípio não tem graça. Só asfalto é para os fracos.  rsrsrsrs.
Entonces, buenas rutas e hasta la vista.


Aproveito para anexar alguns filmezinhos da viagem:










































3 comentários:

  1. Puxa vida. Voce me contou como foi a sua viagem "por alto", mas saber de forma detalhada, é realmente emocionante. Parabens amigo. Um forte abraço.

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  2. Otimo sua postagem sobre essa maravilhosa viajem Delmar, eu como parceiro desta expedição tenho algo a comentar, está viajem eu tinha programado em 2008, quando comprei uma V-Strom DL1000 que era do Delmar, naquela época já conhecia o Gentil da Motoban em Pelotas onde comprei todo equipamento pessoal, e desde então ja especulava sobre roteiros em sua loja feito o roteiro marquei minha viagem para novembro de 2008, ia sozinho, mas quando estava tudo programado minha esposa Fabiane me comunicou que estava libera da faculdade e que poderia ir junto daí resolvi refazer o roteiro e como este iria pegar muito ripio resolvi não ir até Ushuaia e fomos até o Chile. Bom, ano passado resolvi comprar uma moto pois por motivos de investimento em outro ramo resolvi vender a V-strom e como estava a 2 anos sem moto resolvi rever aquele roteiro e escolher a moto ideal que tivesse custo e benéfico depois e ver vários modelos e marcas residi comprar uma BMW GS800 adventure, depois de namorar uma GS1200 mas pelo valor não tive dúvida, optei pela 800, além de ser mais em conta a moto tem tudo ou qse tudo que a irmã rica 1200, dai conversando com o Delmar resolvemos fazer era expedição juntos, achei bom estar com um parceiro pois iríamos passar por vários lugares inóspitos, mas depois de viver esta aventura vimos que realmente pode se fazer sozinho, em fim foi uma bela aventura sem problemas nenhum, mas quero refazer este roteiro, com algumas mudanças na rota, quero fazer a carreteira austral de cabo a rabo são 1242km abraços valeu Delmar.

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  3. Excelente relato! Incrível os vídeos e as fotos! Não é para qualquer um.... Parabéns Delmar e Gilnei!

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